Herchcovitch desconstrói o homem para as mulheres

Estilista mescla dramaticidade latina e espírito rocker numa coleção inspirada em smokings; Fause Haten busca referências no universo infantil

ALCINO LEITE NETO
EDITOR DE MODA
VIVIAN WHITEMAN
DA REPORTAGEM LOCAL
A evolução e o amadurecimento criativos de Alexandre Herchcovitch deram à temporada primavera/verão 2008 da São Paulo Fashion Week uma abertura digna de qualquer semana de moda do mundo.
O estilista fez o primeiro desfile da temporada no prédio da Bienal -a abertura oficial, no entanto, foi com a apresentação de Fause Haten, no shopping Iguatemi- e mostrou uma coleção inteligente, de forte dramaticidade e muito sofisticada, tendo como bases a desconstrução do guarda-roupa masculino e uma visão renovada e moderna da exuberância latina, com referências espanholas e um quê de tango argentino.
A elegância da mulher proposta por Herchcovitch é construída sobre uma cartela enxuta, em tons de preto, branco e vermelho, com algumas interferências do verde-fluor (como no look-fundamento de Geanine Marques) e do cáqui.
Apenas uma estampa, discreta, apareceu em dois looks. Mas, mesmo sofisticado, Herchcovitch não envelheceu: a imagem do desfile ainda ecoa, sim, seu DNA ousado e pop, com fortes referências ao rock. Esta inspiração aparece tanto nas cores quanto no uso irreverente da alfaiataria e na atitude forte.
O elemento masculino foi muito bem trabalhado, como se as mulheres pudessem incoroporar às suas curvas e delicadeza toda a testosterona contida em em blazers, ternos e smokings- esses últimos, transformados em saias, tops e vestidos. Uma coleção direta, que diz a que veio logo de cara e mantém sua consistência temática e de pensamento até o último look.
Em uma passarela decorada com grandes unicórnios, Fause Haten evocou o universo das histórias infantis em sua coleção. O desfile começou bem, com looks mais casuais, como os macacões volumosos com estampas de bolotas, mas enveredou para séries de vestidos muito complicados, às vezes em cetim de cores fortes, especialmente os nos tons pele, que não deram certo.
Melhores foram o longo marinho com estampinhas de unicórnios e as peças de inspiração masculina. No masculino em si, ternos e camisas muito bem acabados, mas sem grande novidade.
Brincando com os efeitos da luz, a Uma, de Raquel Davidowicz, apostou em tecidos com desenhos tipo vitral vazados, em tecidos transparentes e em estampas de efeitos flúor.
No masculino, menos inspirado, destaque para os tênis decorados com pintura à mão. O feminino, apesar de alguns bons tops e bermudas vazados, começou mais construído -também com referências ao guarda-roupa masculino-, mas passou para formas amplas e desestruturadas, gerando uma certa indefinição de silhueta que enfraqueceu o desfile.
 
Estilista faz defesa da roupa unissex
DA REPORTAGEM LOCAL
"Não deveria existir um guarda-roupa masculino e outro feminino. Deveria haver um guarda-roupa só e cada um escolher o que quer", diz o estilista Alexandre Herchcovitch, que mostrou ontem na SPFW uma surpreendente coleção feminina inspirada em smokings masculinos. A coleção desconstrói o uniforme de gala dos homens, desafiando clichês e explorando uma feminilidade nova e audaciosa.
 
FOLHA - Você acha que está cada vez mais sofisticado e, com isso, deixando um pouco o universo underground, que marca a sua carreira?
ALEXANDRE HERCHCOVITCH -
Não, de jeito nenhum. Concordo que esteja mais sofisticado, mais exigente, mas não que eu esteja menos underground. Sofisticado para mim não é ser chique ou luxuoso. É trabalhar cada vez mais a construção das roupas em vez de ir pelo fácil da moda. Na coleção passada, por exemplo, encontrei sofisticação na mistura que os bóias-frias sabem fazer, melhor até que muitos stylists. Nesta, por exemplo, usei correntes SM. Além disso, não acho que sofisticação e underground sejam coisas opostas. É do underground que saem as melhores idéias.
FOLHA - É muito difícil fugir dos clichês do verão?
HERCHCOVITCH -
É, mas acho que consegui. Minha impressão é que as mulheres se cansaram da imagem romântica boba e do estilo barroco-rococó. Eu tentei fugir das armadilhas fáceis de se criar um show com roupas com muito volume e ultraestampadas. Essa nova coleção é para observadores, para quem sabe o que é construção de roupas, o que é roupa bem feita.
FOLHA - Por que você fez uma coleção inspirada no guarda-roupa masculino?
HERCHCOVITCH -
Este tema não é uma novidade na moda, mas, como eu não ligo para tendências, foi o meio que encontrei para fazer uma coleção muito rigorosa e concisa. Isso tem a ver com o meu inconformismo. Deveria haver um guarda-roupa só e cada um escolher o que quer. Há um grande mistério numa mulher que veste um smoking. Se ela escolheu uma roupa de homem, é porque tem mais coisas para dizer.
FOLHA - Como será a sua coleção masculina?
HERCHCOVITCH -
É inspirado em death metal e também se refere ao universo das correntes, do SM... Terá a mesma cartela de cores do feminino. (ALN e VW)


Get the Yahoo! toolbar and be alerted to new email wherever you're surfing.


Inclua vídeos e música no Windows Live Spaces! Confira aqui!

Lohren Beauty

Nenhum comentário:

Postar um comentário