Idade Contemporânea

 Década de 1980

Os anos de 1980 trouxeram uma verdadeira profusão de influências e contrastes, em que os opostos começaram a conviver em harmonia e ambos sendo aspectos de moda essa característica antagônica foi, como ainda hoje é, marca do século XXI.

A multiplicidade passou a idéia de que não havia mais uma única verdade de moda e sim, várias verdades realidades, diversos vieses, inúmeros caminhos a serem trilhados, criando um leque de possibilidades.

Góticos do The CureO conceito de "tribos de moda", apropriando-se do termo e a idéia das áreas da antropologia e da sociologia, foi uma característica marcante desse período, uma vez que inúmeros grupos, com identidades próprias, criaram a multiplicidade de opções. O que vale ser evidenciado neste estudo é que cada tribo se mantinha fiel ao seu próprio estilo, sem que houvesse um elo entre uma e outra; dessa forma, o termo "fidelidade ao estilo" tornou-se condição indispensável de pertencimento a um grupo específico.

Com esses referenciais, os punks continuaram com sua ideologia e visuais próprios ainda no começo dos anos de 1980. Surgiram os góticos que no Brasil eram denominados de "darks" (escuro, em inglês), trazendo à moda um aspecto de romantismo associado a aspectos religiosos e à questão existencial.

Issey MiyakeTambém nos anos de 1980, criadores japoneses estabeleceram-se em Paris e influenciaram a moda com suas propostas de intelectualidade pela limpeza visual. Trouxeram à moda a filosofia zen que, nesse setor, assim como na música e na decoração, recebeu o nome de minimalismo. O primeiro dos japoneses que chegou a Paris (ainda no fim dos anos de 1960) foi Kenzo (nascido em 1939) que, na realidade, não foi nada minimalista. Todavia, os que vieram na seqüência, como Rei Kawakubo (nascida em 1943), Issey Miyake (nascida em 1938) e Yoji Yamamoto (nascido em 1943), esses sim trouxeram tal ideologia em suas criações. O slogan desse movimento, apropriado da área do design era "Less is More" ("Menos é mais"). Diziam em suas linguagens de moda o máximo com o mínimo possível nos cortes, nas cores e nos acabamentos em suas roupas. O preto e os então denominados "pretos coloridos" (marrom quase preto, marinho quase preto, cinza chumbo quase preto etc.) foram as cores preferidas pelo aspecto de sobriedade e austeridade de suas propostas. Um visual andrógino também era característica dessa tendência.

O que se pode perceber é que a cor preta nessa época de 1980 foi a grande identidade da moda, tendo sido introduzida pelos punks e absorvida em diversas outras manifestações como os góticos, os minimalistas e outros. Isso sem falar no caráter de que o preto emagrece as pessoas e também pela praticidade de não aparentar sujeira de fuligem, típica dos grandes centros urbanos. Daí o preto ter sido a cor símbolo da década.

Giorgio ArmaniNa mesma década, teve-se também um reflexo na moda vindo do mercado financeiro. Foi a moda nos "yuppies" (Young Urban Professional Persons, ou jovens profissionais urbanos). Esses jovens profissionais que estavam muito bem-posicionados financeiramente falando, tinham uma identidade particular ao se vestirem de maneira correta e "arrumadinha", todavia, privilegiando o que era chique e sofisticado naquele momento. Roupas de linho ou crepe passaram a ser as preferidas pelos dois sexos, e estar sempre bem-vestido era indispensável, deixando claro em seus visuais uma excessiva preocupação de gastos em roupas e acessórios para refletir a boa condição econômica dos adeptos. O grande nome da moda que foi o ícone dos Yuppies veio da Itália: Giorgio Armani (nascido em 1934), que tornou-se sinônimo de elegância e refinamento principalmente na moda masculina.

Isso tudo também foi reflexo de um posicionamento feminino no mercado laboral, onde os direitos e as posições adquiridas faziam parte de todo um contexto social de trabalho. Daí, numa espécie de reflexo e imposição, uma das características da moda feminina ter sido o grande uso de ombreiras e, obviamente, o uso do tailleur. Verdadeira apropriação da identidade masculina. Eles, por sua vez, para não ficarem para trás, também adotaram os ombros acentuados, posicionando-se frente às mulheres e, cada vez mais, aquilo que fora a moda unissex caminhava para o aspecto de androginia, uma das identidades dos anos de 1980.

Jean Paul GaultierEm oposição à moda minimalista dos japoneses em Paris os franceses adotaram a proposta da exuberância. No prêt-à-porter, ficou a cargo de Jean-Paul Gaultier, nascido em 1952, com suas inusitadas criações evidenciando a androginia, os aspectos étnicos e sempre ligando a moda ao comportamento jovem propriamente dito. Do outro lado, na alta-costura, a referência foi Christian Lacroix, nascido em 1951, com seus excessos em cores, estampas e volumes. Se os minimalistas priorizavam o "Less is more", Lacroix, por sua vez, privilegiava o "More is more", ou seja "Mais é mais'. Flores, listras, xadrezes e poás; rosa choque, laranja, amarelo e vermelho; babados e mais babados tornaram-se a identidade de moda desse francês vindo de Arles, no sul da França, com suas saias longas ou mesmo mini-saias com anáguas para aumentar consideravelmente o seu volume.

Os anos de 1980, como toda época, tiveram também seus avanços tecnológicos e modernidades. Nesse período verdadeiramente novo veio de fato da área têxtil, especialmente com as invenções da microfibra que, de tão fina e resistente que era, dava ao fio certas propriedades que, ao serem elaborados os tecidos, eles tornavam-se "leves como uma pluma e resistentes como ferro". E, além disso tudo, traduziam em si a característica de não amarrotarem e, ao serem lavados, secarem num tempo muito reduzido comparado com os outros tecidos. Foi uma praticidade necessária às exigências da correria e falta de tempo tão comuns à época e ainda hoje.

Também nesse decênio, além da tecnologia têxtil, é importante lembrar que também foi o início da informatização para o setor da moda. Computadores com programas específicos de modelagem, estamparia e outros recursos passaram a fazer parte do dia-a-dia das confecções, acelerando a produção e dinamização de possibilidades no trabalho de moda.

Com essas inúmeras variações de moda, ainda teve-se uma outra maneira de criar, que foi aquela de inspiração no passado. Não se tratava de cópia ou reprodução da época mas sim, uma inspiração. Esse foi o caráter de releitura na moda, o que além de ter sido muito forte nos anos de 1980, continuou tMadonnaambém nos anos de 1990. Essa busca de características de outros momentos históricos de moda fez com que os brechós se tornassem verdadeiros focos de referência, tanto de pesquisa para criação em série como para o consumo pessoal, uma vez que ali não havia a possibilidade de encontrar peças iguais por serem de segunda mão o que, paradoxalmente à massificação, privilegiava a individualidade.

Dos Estados Unidos, vieram novas propostas, especialmente da moda jovem e de grande consumo. Ídolos musicais foram grandes formadores de opinião da identificação de moda jovem. Prince, Madonna e Michael Jackson deixaram suas contribuições na moda, não só norte-americana, como também na de todo o mundo.

Percebe-se que, nesses conturbados anos de 1980, uma palavra que também regeu a moda foi "individualismo" em alguns sentidos: de forma mais ampla como símbolo de pertencimento a um grupo específico ou também como um modo muito pessoal de vestir-se, criando normalmente uma maneira própria dentro de um estilo, a liberdade de expressão nesse período, paradoxalmente às "tendências" e à fidelidade visual como símbolo de pertencimento a uma tribo específica de moda.

Fonte: http://www.modamodamoda.zip.net






Agora o Windows Live Spaces tem rede de amigos! Clique aqui e descubra a novidade

Lohren Beauty

Nenhum comentário:

Postar um comentário