Escolas vão abordar a diversidade sexual

 

Fabiano Ormaneze
DA AGÊNCIA ANHANGÜERA
fabiano.ormaneze@rac.com.br

Os alunos das escolas públicas do Estado de São Paulo terão, a partir do ano que vem, aulas em que o assunto vai ser o respeito à diversidade sexual. Por determinação da Secretaria de Estado da Educação, todos os professores deverão trabalhar com o tema, de forma interdisciplinar, em aulas a partir da 7 série do Ensino Fundamental. O objetivo é difundir entre os alunos o respeito à orientação sexual, além de quebrar tabus e dúvidas dos estudantes sobre a sexualidade.

O projeto da secretaria, apesar de ser o primeiro a abordar o tema de forma que integre todas as 5,5 mil escolas da rede estadual de São Paulo, segue uma tendência já apontada pelo Ministério da Educação (MEC), que, desde 2005, mantém cursos de capacitação sobre o tema para professores, disponibilizando inclusive materias para o trabalho nas escolas.

A decisão do MEC foi baseada em uma pesquisa da Organização das Nações Unidas para a Ciência, a Educação e a Cultura (Unesco) que revelou que um quarto dos estudantes brasileiros não gostaria de ter colegas homossexuais. O preconceito se repete em casa. Cerca de 40% dos pais não gostariam que o filho estudasse na mesma sala que um gay. Entre os alunos, 15% ainda associam a homossexualidade a uma doença. As dificuldades de aceitação na sala de aula fizeram com que o MEC, inclusive, tratasse o tema como uma política de inclusão social.

No Estado de São Paulo, segundo o chefe do Departamento de Educação Preventiva da Secretaria de Estado da Educação, Edison de Almeida, a necessidade de trabalhar com o assunto já foi apontada por assistentes técnicos pedagógicos e supervisores de ensino. Ele explicou que a secretaria já comprou 5,6 mil exemplares do livro Diversidade Sexual nas Escolas, produzido pela organização não-governamental (ONG) Comunicação em Sexualidade (Ecos). Cada escola receberá um exemplar da obra e uma cópia do vídeo Medo do Quê?, que fala sobre mitos que dificultam a aceitação, como é o caso da associação entre gays e a promiscuidade.

"A postura a ser abordada é sempre a do respeito pela diversidade, sem julgamentos. Queremos mostrar aos alunos que, mesmo não aceitando a orientação sexual de alguém, é preciso respeitá-la." Em outubro deste ano, já haverá treinamentos com profissionais das diretorias de ensino que deverão preparar os professores de todas as disciplinas para o trabalho com o tema. Almeida acredita que o programa será também uma arma contra a violência, física ou verbal, entre os estudantes, apesar de a secretaria não ter pesquisas sobre preconceito motivado pela orientação sexual nas escolas da rede.

Homofobia já faz parte de aulas no Culto

Alguns professores já desenvolvem o tema em suas aulas. Em Campinas, por exemplo, na Escola Estadual Culto à Ciência, o professor de história José Carlos Rocha Vieira Júnior inclui o tema no programa de todas as turmas de Ensino Médio desde 2004. "O professor de história que combate o nazismo e não combate a homofobia não é professor de história", afirma. Para trabalhar com o assunto, ele produziu uma apostila, em que reúne textos que abordam a diversidade sexual do ponto de vista biológico, psicológico, cultural e legal. O educador começou a desenvolver o trabalho depois do pedido de quatro alunas heterossexuais, que se incomodavam com comentários homofóbicos de colegas e professores. Todos os anos, antes das paradas gays, realizadas em junho, mês da diversidade, Vieira Júnior usa algumas de suas aulas para trabalhar com o tema. "Tenho alunos que estavam pensando em se suicidar porque eram homossexuais e sofriam com o preconceito. A partir do trabalho, eles passaram a se aceitar e serem respeitados pelo grupo", lembra. (FO/AAN)

A FRASE

"Queremos mostrar que, mesmo não aceitando a orientação sexual de alguém, é preciso respeitá-la."

EDISON DE ALMEIDA
Chefe do Departamento de Educação Preventiva da Secretaria de Estado da Educação



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Chesller Moreira

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