Você sabe que valor vender seu produto?

Como calcular o preço do que você vende?

 
Dia desses, conversando com a Elô (Pedaço de Amor), ficamos debatendo sobre as dificuldades de chegar a um preço justo para o trabalho feito a mão. E você? Como faz para calcular o preço das coisas que vende? Não, não é tarefa fácil, principalmente porque existem muitos detalhes.

Para começar, um produto artesanal não pode ser encarado do mesmo jeito que um produzido industrialmente, em grande escala e com custos para lá de enxutos. Quem faz algo de modo informal está sujeito a matéria-prima com preço igual ao do varejo (eu, que só faço crafts para uso pessoal, pago o mesmo preço do metro do tecido do que uma crafter que faz bolsas para vender, por exemplo). Só isso já faz com que seja impossível tentar estabelecer graus de comparação entre produtos industrializados e os handmade.

Bom, a matéria-prima é o primeiro ponto. Depois vem a questão do valor da mão-de-obra. Quem tem funcionários, consegue calcular quanto custa cada hora de trabalho (com férias, 13º salário e todos os encargos envolvidos). Quem trabalha sozinho, não. Quanto vale a sua hora de trabalho artesanal? Todo mundo ia gostar de ganhar centenas de reais por hora, mas se o custo for muito alto, inviabiliza a venda informal.

Então temos a matéria-prima e mais a mão-de-obra. Falta acrescentar o lucro. Existem cálculos e teorias de como chegar a um valor correto para calcular preço. Mas toda a questão surge mesmo é quando o valor já está calculado. Por exemplo: você faz bolsas e, somando todos os custos de matéria-prima e tempo de trabalho, chega a R$40,00. Como você não quer trabalhar quase de graça, precisa calcular o quanto de lucro vai ter.

As teorias dominantes pregam que o lucro deve ser de 30%, 50% ou até 100% do valor do custo. No caso da bolsa de R$40,00, você pode optar por ganhar R$12,00, R$20,00 ou R$40,00. Quanto você prefere? Claro que R$40,00, eu sei. Mas será que as suas potenciais clientes também estão dispostas a pagar R$80,00 (R$40,00 do custo + R$40,00 do seu lucro) pela bolsa que você faz? Boa pergunta.

Talvez você pense um pouco e acabe chegando à conclusão de que é melhor ficar com o valor intermediário, lucrar um pouco menos e cobrar R$60,00 (R$40,00 do custo + R$20,00 do seu lucro). Uma coisa é certa: mesmo baixando seu lucro pela metade, ainda assim algumas pessoas vão achar a sua bolsa cara.

O que fazer? Baixar ainda mais e lucrar só R$12,00? Aposto como você cogitou seriamente esta possibilidade em algum momento da sua vida de empresária informal. Mas será que vender por um preço mais baixo é o melhor para os negócios? Será que uma diferença de R$8,00 vai fazer mesmo tanta diferença na quantidade de bolsas vendidas? E R$20,00? E R$28,00?

Difícil de dizer, sem saber muito bem como é o seu público. E aí está a chave do sucesso de um preço bem feito: conhecer a fundo o próprio mercado consumidor. Sabendo o quanto, em média, as suas clientes ganham e, acima de tudo, quanto estão dispostas a gastar com uma bolsa, você vai poder tomar a decisão mais acertada.

Mais do que saber quanto pode cobrar por uma peça, é importante que você tenha noção de um padrão mais amplo de consumo das suas clientes. Não só quanto elas acham que vale a pena pagar por um produto, mas quanto gastam por ano em produtos do tipo que você faz, com que frequência costumam comprar e quando compram.

Pode ser que você nem imaginasse que ia ser preciso fazer uma pesquisa de mercado para conseguir chegar em um preço justo. Também pode ser que você ache que vai dar muito trabalho ficar investigando os hábitos de consumo das suas clientes. Quem sabe…

O importante é que, ficando com medo de vender pouco ou indo ao outro extremo e querendo cobrar tudo que você imagina que merece lucrar, é possível que os seus preços jamais fiquem corretos. Ainda mais porque, pela minha experiência, o comprador sempre espera pagar menos e, sempre que tiver oportunidade, vai chorar por desconto.

E, antes que alguém reclame que eu não levei em conta todas as vantagens e diferenciais de um produto feito a mão, eu levei, sim. Só que, quando se trata de compra e venda, todos os diferenciais já estão implícitos. Alguém que não gosta de handmade dificilmente vai ser o seu público consumidor. E quem gosta e valoriza já sabe que o feito a mão tem valor intrínseco.

A questão é ampla e complexa e fica difícil de apontar uma solução única. O bom mesmo é discutir, pensar e repensar, para chegar a uma conclusão que seja boa tanto para você quanto para as suas clientes.
 
fonte:. http://www.bananacraft.com


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