Marie Claire visitou a primeira escola para gays

Sex News / Comportamento - 23/03/2010

A Escola Jovem LGBT abre suas portas em Campinas, prevendo cursos de expressão artística e aulas para quem quer ser drag queen

Por Sergio Crusco
 
Há escolas para médicos, marceneiros, decoradores de interiores, contabilistas e mecânicos de caminhão. Para pintores de parede, malabaristas, atores, psicólogos e enfermeiros. Há como aprender a ser uma drag queen mais poderosa, talentosa e esplendorosa? Sim, a drag campineira Lohren Beauty ensinará como dublar, se maquiar, se comportar e se vestir para matar na Escola Jovem LGBT inaugurada dia 13 de março em Campinas (interior de SP).


Editora Globo
Inauguração da Escola Jovem LGBT. Na Foto: Deco Ribeiro idealizador e diretor da escola Gay em Campinas
O curso de drag queen é uma das diversas cadeiras da nova escola, que ainda conta com aulas de teatro, dança, web tv, fanzine e canto coral. Mas os rapazes que pretendem imitar com perfeição as coreografias de Beyoncé ou rodar uma baiana tal qual Carmen Miranda devem esperar mais um pouco para aprender a fazer tudo direitinho, sem cair do salto: o curso de drag acontecerá apenas em 2012, no terceiro ano do projeto Escola Jovem. "Será a cerejinha do bolo", diz a mestra. 

"Eu estava em casa um dia desses, sem fazer nada, e tive a ideia de inventar um curso de drag queen", conta Lohren - seu nome de batismo é Chesller Moreira. Já bastante envolvida com a causa gay por meio de sua militância no grupo E-Jovem, ONG de Campinas que luta contra o preconceito e busca dar apoio e visibilidade a jovens gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros. Amigos sugeriram que ela inscrevesse o projeto em um edital aberto pelo Ministério da Cultura em agosto do ano passado, selecionando novos pontos de cultura, rede de núcleos populares que visam preservar e promover a diversidade cultural brasileira.

A ideia de Lohren foi burilada junto a Deco Ribeiro, outro dirigente do E-Jovem, cresceu e colou. Em dezembro eles tiveram a notícia de que o projeto havia sido aprovado, e de que receberia uma verba de aproximadamente R$ 180 mil para três anos de atividade. O compromisso com o Estado é renovável depois destes três anos, caso o MinC avalie como positivos os resultados do ponto de cultura. Lohren é confiante na renovação do subsídio: "Veja a visibilidade que estamos conseguindo", diz ela em meio aos repórteres e cinegrafistas que circulam em frente à sua casa no bairro Nova Europa, em Campinas, pintada de rosa e ajeitada para funcionar como sede da Escola Jovem.

A inauguração teve fita vermelha, cortada depois da performance de Lohren dublando um sucesso de Celine Dion. A sala de aula, uma garagem adaptada e separada da parte íntima da casa por uma cortina de chita florida, já recebia os alunos para a aula inaugural – dança, com os professores Leandro Ochaialini e a travesti Bruna Eduarda.

POLÊMICA: SEGREGAÇÃO OU PORTO SEGURO?

Para Lohren e Deco, a escola tem um significado maior do que simplesmente educar e propagar a cultura gay. Querem que o espaço sirva como abrigo àqueles que foram excluídos do ensino formal por preconceito ou violência, e fazem questão de frisar que a E-Jovem aceita alunos heterossexuais. Os que criticam a escola, no entanto, atacam o "preconceito às avessas" que a iniciativa pode representar – em vez de incluir, segregaria ainda mais.

Danuza Leão, por exemplo, em crônica publicada no jornal "Folha de S. Paulo", escreveu: "Ao que me consta, o objetivo da humanidade é integrar, fazer com que os humanos de qualquer raça, cor ou religião se sintam como na realidade são – iguais. Se os colégios só para meninas ou só para meninos já não eram recomendados, o que dizer de um dirigido preferencialmente ao mundo gay? Então por que não pensar também em colégios só para brancos e outros só para negros?".
 
A crônica de Danuza eriçou pelos e causou controvérsia. Gustavo Bonini, professor do curso de teatro da Escola Jovem, contra-atacou em carta aberta pela internet: "Quanto às pessoas estarem agrupadas em colégios específicos, isso é apenas porque, ainda no ano de 2010, muitas destas mesmas pessoas ainda não aceitam os gays como são", afirmou Gustavo, mais conhecido no mundo gay como Priscilla Drag.

Ele diz ter vivido, na infância e na adolescência, o calvário do qual não escapa a maioria dos homossexuais e dos diferentes. "Eu era o viadinho da turma, o que preferia ficar com as meninas organizando o teatrinho a jogar bola. Apanhava na escola, mas a direção e os professores não faziam nada. Minha mãe ia reclamar na diretoria, mas não adiantava", conta Gustavo, que cursou o ensino fundamental e o médio em escolas públicas, estudou teatro com Wolf Maya e prevê a montagem de um espetáculo com seus alunos na Escola Jovem.

Na visão de Deco Ribeiro, Gustavo ainda teve sorte de ter uma mãe que o apoiava. "O maior foco de violência contra os jovens homossexuais está na escola e na própria família", diz ele. Lohren completa seu raciocínio: "Estamos aqui para dar poder a esses meninos e meninas, fazer com que eles exijam respeito da sociedade, conheçam seus direitos e encontrem seu espaço. É um grande passo para um homem, e um grande salto para uma drag queen".

fonte:. http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Common/0,,EMI128496-17637,00-MARIE+CLAIRE+VISITOU+A+PRIMEIRA+ESCOLA+PARA+GAYS.html


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Chesller Moreira

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