Drags Nunca Estiveram Tão na Moda!



 Matéria da Revista PSK

 Aqui no Brasil veneramos muito as Drags de fora principalmente depois da grande audiência que tem RuPaul’s DragRace influenciando muito as Drags mais novas no seu estilo, fazendo com que esqueçamos de Drags brasileiras com seus estilos próprios e performances diferenciais, estamos comprando mais as Drags de fora e copiando elas aqui às drags brasileiras.

  Seja em um programa de TV que discute sexo, em um reality show americano ou em plena noite paulistana, atualmente o que mais se encontra são elas, as Drag Queens. Amadoras, profissionais ou apenas por uma noite, elas estão em todas. Um exemplo disso é a quantidade de festas com temática drag, como Cover Girl, Podero$a e Priscilla, que fazem a alegria dos fãs do estilo e até incentiva a galera a ir “montado”, isto é, vestido de drag.
    Ano passado, em São Paulo, foi oferecido no SESC Consolação uma oficina de montagem Drag - parte do projeto “Damas da Noite”, que oferecia atividades voltadas à cultura LGBT. Este projeto foi muito inspirado nas oficinas da Escola Jovem LGBT, de Campinas, que realizava desde 2010 atividades como estas.




  “A cultura Drag e muito mais que isso tudo que as pessoas estão vendo atualmente. Hoje um pouco de modismo devido aos programas de TV. O que falta são as Drags mais novas estudarem um pouco sobre que é ser Dragqueen, que é muito mais que apenas colocar uma peruca na cabeça e mascar chiclete encima dos palcos de boate. Ser Drag e muito mais que um conceito, e ser e ter uma vida paralela à sua, e dar vida a um alter ego cheio de luxo e glamour” Diz Lohren Beauty, São Paulo, 12 anos de Drag e militância. Já Diamond Albuquerque do Rio de Janeiro diz que “Esse boom da cultura Drag veio muito mais que só uma onda, veio como uma luta e resistência. Drag e política, e quebra de padrões, de tabu e de paradigmas.” E ainda completa “a gente tá aqui trucando, escondendo sobrancelha, mostrando que somos homens de peruca, mulheres que mudam o rosto ou simplesmente não temos um gênero. Que não vamos mostrar um gênero específico, indo contra a massa que nos dá dois caminhos quando a gente quer voar e não seguir esses caminhos”.


   Para ser Drag primeiro você precisa se identificar como uma e se descobrir tanto em estilo como Personalidade e essa foi a palavra mais usada quando perguntadas quais eram as três palavras que define seu estilo. Seguida de Autenticidade, duas coisas que sabemos que não são fáceis de se construir quanto a Drag, todas começam se inspirando em alguém ou algo para montar sua persona. Molly Crocker,Patos de Minas, disse ter se inspirado nas Drags Rebecca Foxx e Adore no seu início de “montacão”. Já Melissa Atrack de São Paulo diz “Já me inspirei nas garotas de Beverlly Hills e meninas ousadas de Miami”. Enquanto Catarina Klein, Rio Claro, “ Nunca me inspirei em alguém específico, mas a cada “montacao”eu me inspiro em alguém,como a minha ultima que eu me inspirei na modelo Twiggy Lesley Lawson.”
   Aqui no Brasil veneramos muito as Drags de fora principalmente depois da grande audiência que tem RuPaul’s DragRace influenciando muito as Drags mais novas no seu estilo, fazendo com que esqueçamos de Drags brasileiras com seus estilos próprios e performances diferenciais, estamos comprando mais as Drags de fora e copiando elas aqui às drags brasileiras . “Olha eu acho que ainda não podemos nos comparar com elas em quesito de cultura, precisamos nos unir mais, há muito preconceito no próprio meio gay e entre nós queens, então sim, tem muito que aprender com elas.” Disse Catarina Klein. Enquanto Lohren diz “Não devemos nos comparar, até porque “Cultura Drag”é diferente em cada país. Temos que para de ser cópias de outros países e construir nossa própria identidade cultural.
   “Elas têm nos mostrado diferentes estilos, o que tem sido ótimo para quem se diz fã de Drag mas só é fã de DragRace. Não acho que temos muito a aprender ou estamos caminhando para parecer com elas lá de fora. A cultura Drag no Brasil e rica sim. Hoje em dia temos muitos estilos maravilhosos, nomes incríveis e histórias ótimas. Hoje em dias eu corro atrás muito mais para ver uma Drag brasileira que uma Drag do DragRace.” Acrescenta Diamond Albuquerque. Molly Crocker acredita que podemos aprender umas com as outras e que a cultura Drag no Brasil e bem mais versátil que a americana muito mais estilos diversos.


  O mais importante, porém é ser bem recebida pelo público, ser humilde e acessível. Como disseram nossas entrevistadas. “Acho que uma Dragqueen não pode deixar de ser simpática e carismática nunca. Porque senão todo trabalho e em vão. São horas para se montar, meses para aprender, muito dinheiro gasto. Se tu sai para uma festa e acaba sento desnecessariamente rude, vai todo mundo te odiar e desvalorizar seu trabalho.” Diz Diamond Albuquerque que ainda completa “Eu gosto das queens do povo, que mesmo que estejam com uma carreira ótima, ainda pare para ficar com o povão, conversar com as Drags mais novas, e não se fechem no seu mundinho de fãs que as elogiam.”


  Nessa mesma linha Lohren Beauty também diz que uma boa Drag para ter sucesso deve saber reconhecer seus próprios erros e ser carismática e tratar com respeito o seu público e amigas de palco. E ainda para completar Catarina Klein diz “Além das roupas e perucas, eu admiro muito o carisma com o público e a humildade. Você pode até estar com as melhores ou piores roupas e maquiagem, mas se você não tiver um carisma bom é uma humildade seu look fica simplesmente horrível”.

Michel Moura

Michel Moura

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